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Personalidade: Somos seres complexos em eterna batalha entre instintos e princípios

Vetores e ilustrações de Ia para download gratuito | Freepik Personalidade: Somos seres complexos

A estruturação da personalidade humana

Não adianta fazer de conta que é todo organizado, que é totalmente ciente das decisões que toma e ficar zangado quando algo não sai muito bem como você planejava. Somos únicos em nossas virtudes, defeitos, elucubrações e personalidade. E percebemos as coisas ao nosso redor de modo extremamente particular. E ponto.

Para complicar só mais um pouquinho, apesar de sermos fisicamente concretos, somos seres totalmente abstratos. E somos moldados por meio de conceitos familiares, educacionais e religiosos, do certo e do errado, com base em ideias e lógicas oriundas de gerações passadas. Isto já seria preocupante, mas a dimensão deste equívoco no processo de estruturação da personalidade humana é muito maior. Tentam nos criar de forma lógica, mas somos essencialmente emocionais.

 

Colapso interno

Isto gera um colapso interno. Nos deparamos constantemente com sentimentos e pensamentos que depõem contra o nosso sistema de crenças, ou aquilo que aprendemos a achar que é o correto. Sentimos raiva de alguém e, em uma fração de segundos, lá está o nosso sistema de crenças dizendo que é feio sentir raiva.

O resultado? Conflito. Afinal penso e sinto algo que aprendi que é errado, que é desaprovado pela moral e os bons costumes. Isto gera culpa. E a primeira coisa que fazemos é tentar sufocar este pensamento ou sentimento. Nem nos questionamos o que aquilo quer nos mostrar.

 

Somos instintivos

Contudo, o que não queremos olhar, ganha uma força extra. Se você já fez regime e, neste período, encontrou pelo caminho um brigadeiro ou uma lasanha, entende o que estou falando. Talvez tenhamos de admitir que somos tão instintivos quanto nossos ancestrais. Ou será que nunca fez ou disse algo por impulso, tomado pela emoção, seja ela qual for?

A verdade é que somos seres complexos, repletos de pontos cegos, ângulos escondidos e sentimentos inconfessáveis, difíceis de admitir conscientemente. Somos a eterna batalha entre instintos e princípios, diversas faces de um mesmo personagem. Somos diferentes dilemas de nós mesmos, incomodados pela dificuldade imensa em determinar onde termina a nossa busca do prazer e começa a fuga da dor.

Somos vítimas de um poderoso algoz interno que, por fazer parte de nosso eu e saber exatamente em que acreditamos, age de forma impiedosa e cruel, procurando esconder nossas feridas e cicatrizes, mas para isto deixando expostas nossas maiores fraquezas e receios.

Somos a imensa distância entre o enredo que idealizam para nós e o espetáculo que estamos dispostos a encenar. Podemos, em fração de segundos, passar de indefesos cordeiros a astutas raposas. Podemos ser ao mesmo tempo a síntese e a antítese, porque simplesmente somos assim, brutos contrastes entre os aprendizados passados, anseios futuros e um fugaz presente.

Jung já afirmava que somos muito mais do que o uno que imaginamos ser. E todo este contexto está, para o bem ou para o mal, atrelado ao nosso arraigado sistema de crenças.

A pergunta é: Em que você acredita? Isto é o mundo real ou a forma pela qual você escolheu interpretá-lo? Saber isto pode ser determinante para que você consiga aquilo que quer e principalmente pare de sofrer.

Autor: José Carlos Carturan Filho

 

Máscaras e disfarces: Você é quem é? Ou um fantoche que só quer agradar aos outros?

Viver para agradar aos outros? Cuidado!

Por que é tão prejudicial viver para agradar aos outros em vez de assumir ser quem realmente você é?

Confesso que certas coisas me incomodam um bocado. É inegável que a busca constante pelo desenvolvimento é algo fascinante, mas traz um ônus complicado de lidar. A tendência natural é ficarmos mais perceptivos e isso às vezes faz que não aceitemos qualquer coisa goela abaixo.

Não vire uma caricatura de quem realmente você é. E cuidado com a armadilha de tornar-se um fantoche que vive para agradar aos outros.

Teatro Fantoche Imagens – Download Grátis no Freepik agradar aos outros

De minha parte, um dos maiores desafios têm sido não me tornar uma personagem de mim mesmo, ou uma personagem que foi sendo escrito para mim pelas pessoas que compõem o enredo da minha vida. Procuro me policiar constantemente para que não vire uma caricatura de quem realmente sou e não cair na armadilha de tornar-me um fantoche que quer sempre agradar aos outros. Sem nenhum tom de arrogância ou presunção, digo: Sou o que sou. Constantemente em busca de melhoria, justamente por estar ciente de minhas inúmeras, infindáveis e constantes imperfeições.

Em meu trabalho, com meus amigos, com minha família, sou o que sou. E ainda que, cada um de acordo com sua ótica e sua essência, me veja de uma maneira diferente, para mim continuo sendo o que sou, com as vantagens e desvantagens que isto traz. Não se trata de falta de flexibilidade, mas sim em prezar por alguns valores e virtudes cardeais e principalmente ser transparente em demonstrá-los.

Por bom senso procuro aliar a isto certa polidez e tolerância, mas não se engane. Este perfil pacificador e diplomático tem um limite bem definido por valores éticos e morais. Daí por diante, se este limite for ultrapassado, como bom ariano que sou, as coisas tomam outro rumo.

O paradoxo é que, enquanto arduamente luto para não tornar-me um rascunho de mim mesmo, me deparo com pessoas que se esforçam exatamente para conseguir o contrário. São a reprodução mecânica e robotizada daquilo que as pessoas querem encontrar nelas. Essas pessoas criam algo como uma personalidade paralela. E escondem-se sob um véu alicerçadas em palavras, gestos e ações que fortalecem a imagem que elas querem que os demais tenham delas. O fardo de viver sendo quem não, se é de verdade, deve ser grande demais.

 

Máscaras e disfarces

O fato é que após algum tempo vivendo debaixo de uma máscara, só há dois desfechos. O primeiro, que beira a insanidade, é realmente acreditar que se é a figura que criou, fundindo, criador e criatura em uma personalidade vazia e ambígua. E o segundo é que nas situações limite, a máscara acaba caindo. Não as situações de cunho emocional quando todos nós estamos sujeitos a reações desproporcionais. Mas sim quando princípios e valores são questionados e deve haver um posicionamento. Mesmo porque, não se consegue sustentar indefinidamente uma fraude.

O ruim é que ainda há algumas pessoas que não sei quem são. Não sei se são elas mesmas ou alguém que criaram. E é muito ruim lidar com pessoas assim. No meu caso, basta olhar bem fundo nos meus olhos. Gostando ou não do que vai encontrar, lá estará estampada a imagem cristalina de quem eu sou.

Autor: José Carlos Carturan Filho

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