Como transformar problemas em oportunidades: Empresas que venceram o impossível – PARTE 2

Como transformar problemas em oportunidades

Como Transformar Problemas em Oportunidades

Histórias de Empresas que Venceram o Impossível (Parte 2)

Inspirado em Oportunidades Disfarçadas 2, de Carlos Domingos

Você já passou por uma situação em que tudo parecia dar errado?

Um problema inesperado, um erro de planejamento, um conflito, uma reclamação de cliente ou até mesmo um experimento que não saiu como esperado podem parecer, naquele momento, apenas obstáculos.

No entanto, algumas das empresas e invenções mais conhecidas do mundo nasceram justamente de situações assim.

Isso acontece porque existe uma diferença fundamental entre simplesmente enfrentar um problema e saber como transformar problemas em oportunidades.

Enquanto algumas pessoas enxergam apenas o obstáculo, outras fazem uma pergunta diferente:

“O que esse problema está tentando me mostrar?”

Essa mudança de perspectiva pode ser poderosa. Afinal, nem sempre podemos escolher os acontecimentos, mas podemos escolher como reagir a eles.

O livro Oportunidades Disfarçadas 2, de Carlos Domingos, explora justamente essa ideia. A obra reúne quase 200 histórias de soluções que surgiram a partir de pequenos obstáculos, grandes crises, erros e situações inesperadas. Entre os exemplos estão empresas como Uber e Netflix, além de invenções como Super Bonder e Teflon.

E algumas dessas histórias são especialmente interessantes.

Netflix: quando uma experiência ruim virou uma oportunidade

Uma das histórias mais conhecidas sobre a origem da Netflix começa com uma experiência bastante comum: uma cobrança desagradável em uma locadora.

A versão mais difundida conta que Reed Hastings teria recebido uma cobrança de aproximadamente US$ 40 relacionada ao filme Apollo 13. A história é frequentemente associada à criação da Netflix, embora existam diferentes versões sobre os detalhes do episódio.

Independentemente dos detalhes da anedota, existe uma ideia importante por trás dela.

Hastings percebeu que havia uma dor na experiência de aluguel de filmes. O consumidor precisava se deslocar até uma loja, escolher um título, devolver o filme dentro de determinado prazo e ainda poderia ser penalizado caso se atrasasse.

Em vez de simplesmente aceitar aquela experiência como parte normal do negócio, surgiu a possibilidade de pensar diferente.

A Netflix começou oferecendo DVDs pelo correio. Dessa forma, o consumidor podia escolher seus filmes pela internet e recebê-los em casa.

Depois, a empresa continuou evoluindo.

O DVD deu lugar ao streaming. O streaming transformou a maneira como consumimos entretenimento. E a empresa deixou de ser uma alternativa às locadoras para se tornar uma das grandes referências da indústria audiovisual.

A grande lição não está apenas na tecnologia.

Está na capacidade de identificar uma dor do consumidor e transformá-la em uma oportunidade de inovação.

Uber: um problema cotidiano que mudou a mobilidade

Imagine estar em uma cidade grande, tarde da noite, com frio e sem conseguir encontrar um táxi.

Foi justamente em uma situação desse tipo que a história da Uber começou.

Em 2008, Garrett Camp e Travis Kalanick estavam em Paris para a conferência LeWeb. Segundo o próprio relato publicado pela Uber, os dois discutiam ideias e identificaram o problema de conseguir um táxi. A empresa também registra que a ideia estava relacionada inicialmente a resolver o problema de transporte em São Francisco.

A pergunta que surgiu foi simples:

E se fosse possível conseguir um carro apertando um botão?

A partir daí, uma dificuldade cotidiana passou a ser observada de outra maneira.

Em vez de pensar apenas “é difícil conseguir um táxi”, a pergunta passou a ser:

“Como podemos tornar essa experiência mais simples?”

Essa diferença parece pequena, mas é fundamental para entender como transformar problemas em oportunidades.

Problemas estão por toda parte. O que não está por toda parte é a capacidade de enxergar o problema como uma oportunidade para criar uma solução.

Foi assim que uma dificuldade relacionada ao transporte ajudou a dar origem a um dos negócios mais conhecidos da economia digital.

Super Bonder: e se o erro fosse justamente a solução?

Nem todas as grandes oportunidades surgem de reclamações de consumidores.

Algumas surgem de erros.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o químico Harry Coover trabalhava no desenvolvimento de materiais para equipamentos ópticos. Em um dos experimentos, entrou em contato com uma substância extremamente adesiva.

O material grudava em praticamente tudo.

Naquele momento, isso era um problema.

O produto não servia para aquilo que Coover estava tentando desenvolver.

Anos depois, entretanto, a substância voltou a aparecer em outro projeto. E novamente apresentou a mesma característica: uma capacidade extraordinária de aderência.

Dessa vez, porém, Coover passou a olhar para aquela característica de outra maneira.

E se aquilo que tornava o material inadequado para uma finalidade fosse justamente o que o tornava perfeito para outra?

A ideia ajudou a transformar um aparente fracasso em uma solução comercial.

A história da Super Bonder é um exemplo clássico de uma mudança fundamental de perspectiva: um erro nem sempre é o fim de uma tentativa. Às vezes, ele é uma pista para uma solução que ainda não conseguimos enxergar.

Teflon: quando um experimento dá errado

Algo semelhante aconteceu com o Teflon.

Em 1938, o químico Roy Plunkett trabalhava com gases refrigerantes quando percebeu algo estranho em um dos recipientes utilizados no experimento: o gás havia desaparecido. No interior havia restado um material sólido, branco e extremamente escorregadio.

À primeira vista, o experimento não havia produzido aquilo que Plunkett esperava.

Seria fácil simplesmente descartar o resultado. Porém, o pesquisador decidiu investigar. E essa decisão fez toda a diferença.

O material apresentava propriedades incomuns, como alta resistência química e baixo atrito. Mais tarde, o politetrafluoretileno, conhecido pela marca Teflon, encontraria aplicações em diferentes setores.

O que parecia um experimento que não funcionou acabou revelando uma propriedade que ninguém estava procurando originalmente.

Essa história traz uma pergunta importante para qualquer profissional:

Quantas descobertas deixamos de fazer porque descartamos rapidamente aquilo que não saiu como planejado?

Às vezes, o problema não está no resultado inesperado.

Está na nossa interpretação sobre ele.

Adidas e Puma: quando um conflito cria concorrência

Nem todo problema nasce de um laboratório ou de uma reclamação de consumidor.

Alguns nascem dentro de casa.

Os irmãos Adolf e Rudolf Dassler trabalhavam juntos na fabricação de calçados esportivos na Alemanha. A empresa familiar ganhou destaque e chegou a fornecer calçados utilizados por atletas nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936.

Entretanto, a relação entre os irmãos se deteriorou.

O conflito chegou ao ponto de provocar a separação da empresa.

Adolf Dassler criou a Adidas. Rudolf Dassler criou a Puma.

A partir daí, duas empresas passaram a competir intensamente no mercado esportivo.

É claro que conflitos familiares não são, por si só, uma estratégia de inovação. Porém, a história mostra algo interessante sobre concorrência.

A competição pode aumentar a pressão para inovar, melhorar produtos, desenvolver novas estratégias de marketing e conquistar consumidores.

A própria Editora Sextante inclui Adidas e Puma entre os exemplos de empresas que se beneficiaram da concorrência feroz.

Assim, uma situação que começou como uma ruptura acabou contribuindo para a formação de duas das marcas mais conhecidas do setor esportivo.

O que essas histórias têm em comum?

Netflix, Uber, Super Bonder, Teflon, Adidas e Puma atuam em setores completamente diferentes.

Ainda assim, existe algo que conecta essas histórias.

Em algum momento, alguém se deparou com uma situação que poderia ser interpretada simplesmente como um problema. Uma multa, uma dificuldade para encontrar transporte, um material que grudava em tudo, um experimento que não produziu o resultado esperado, um conflito familiar…

O ponto de virada aconteceu quando alguém decidiu olhar para aquela situação por outro ângulo.

É justamente aí que está a essência de como transformar problemas em oportunidades.

Não significa acreditar que todo problema é bom. Também não significa romantizar crises, erros ou fracassos. Significa desenvolver a capacidade de perguntar:

“Existe alguma possibilidade escondida dentro deste problema?”

Como transformar problemas em oportunidades na prática?

Essa mentalidade pode ser aplicada não apenas a grandes empresas, mas também ao nosso trabalho e à nossa vida profissional.

Quando um cliente reclama, por exemplo, é possível simplesmente tentar encerrar a reclamação. Porém, também é possível investigar o que aquela reclamação revela sobre uma falha na experiência do cliente.

Quando um projeto dá errado, podemos procurar um culpado. Ou podemos analisar quais informações aquele erro trouxe para o próximo projeto.

Quando um concorrente lança algo novo, podemos simplesmente enxergá-lo como uma ameaça. Ou podemos perguntar o que ele identificou no mercado que ainda não percebemos.

Quando uma mudança tecnológica altera nosso setor, podemos resistir. Ou podemos tentar entender quais novas necessidades estão surgindo.

Portanto, como transformar problemas em oportunidades começa com uma mudança de pergunta.

Em vez de:

“Por que isso aconteceu comigo?”

podemos perguntar:

“O que posso aprender com isso?”

Em vez de:

“Como faço para voltar ao que era antes?”

podemos perguntar:

“O que posso construir a partir daqui?”

E, em vez de:

“Como elimino este problema?”

podemos perguntar:

“Que oportunidade este problema revela?”

Essa mudança não resolve automaticamente uma dificuldade. Entretanto, ela muda a forma como pensamos sobre ela.

O problema pode ser o começo, não o fim

Vivemos em um ambiente no qual mudanças acontecem o tempo todo.

Novas tecnologias surgem, comportamentos dos consumidores mudam, mercados se transformam e modelos de negócio que pareciam sólidos podem perder relevância.

Por isso, a capacidade de lidar com problemas, incertezas e mudanças se tornou cada vez mais importante.

As histórias reunidas por Carlos Domingos em Oportunidades Disfarçadas 2 reforçam justamente essa ideia: muitas soluções podem estar escondidas dentro dos próprios obstáculos que enfrentamos.

No entanto, existe uma diferença entre encontrar uma oportunidade e simplesmente esperar que ela apareça.

É preciso observar, questionar, experimentar, aprender e, principalmente, desenvolver a capacidade de enxergar além do óbvio.

Afinal, talvez o próximo grande passo da sua empresa não esteja escondido em uma ideia completamente nova.

Talvez esteja escondido em um problema que você já conhece muito bem.

O que você está enxergando apenas como problema?

Na próxima vez que algo sair diferente do planejado, faça uma pausa antes de concluir que tudo deu errado.

Observe a situação. Procure a causa. Escute quem está envolvido. Faça perguntas. E tente enxergar aquilo que normalmente passaria despercebido.

Porque a história da inovação está cheia de exemplos de pessoas que encontraram possibilidades justamente onde outras pessoas enxergaram apenas dificuldades.

O problema pode ser real. Mas a oportunidade também pode ser.

A questão é: você consegue enxergá-la?

Quer conhecer mais histórias como essas?

Este artigo foi inspirado em Oportunidades Disfarçadas 2, de Carlos Domingos, livro que reúne histórias reais de pessoas e empresas que transformaram problemas em grandes oportunidades.

A obra apresenta quase 200 casos e mostra como obstáculos, erros, crises e conflitos podem, em determinadas circunstâncias, dar origem a novas ideias, negócios e soluções.

Você pode conhecer o livro e conferir a edição disponível na Amazon:

Conheça Oportunidades Disfarçadas 2 na Amazon

E se você quiser continuar nessa reflexão, leia também a Parte 1 de “Histórias Reais de Empresas que Venceram o Impossível”.

Entre em contato

Pronto para dar o próximo passo na sua transformação? Fale conosco e descubra como podemos ajudar.