Que a vida é feita de ciclos, você já deve ter notado.
Alguns ciclos da vida são muito bons, auspiciosos, prósperos e outros nem tanto. Ainda assim, conseguimos ou deveríamos tirar proveito de cada um deles.
Os tais ciclos perduram por certo período. Muitos deles, por aproximadamente sete anos – pode reparar. E podem abranger as mais diversas áreas da nossa vida – pessoal, afetiva, financeira, profissional, social. Parece que é o tempo aproximado para que ganhemos maturidade suficiente, seja pelo amor ou pela dor, para seguirmos adiante e entrarmos de vez na nova fase que se apresentará.
Os ciclos da vida
Quando falo em ciclos da vida, falo desde o início, quando as coisas ainda são ideias, sonhos, aspirações, objetivos, passando pela fase onde já há algum movimento no sentido de colocar tais coisas em prática, chegando ao processo de desenvolvimento, de sedimentação e concretização e, por fim, de saturação, culminado ora com um desfecho, ora com a opção de continuidade.
Reciclagem
Mesmo quando não há o desfecho e sim a continuidade, há uma reciclagem. Daí a origem da palavra. É quando damos uma repaginada para que aquele balão consiga voar até completar sua jornada.
Se o desfecho, a cisão ou a ruptura ocorrem é porque estamos buscando novos sonhos, novos horizontes, que podem estar baseados em pilares construídos no ciclo anterior, mas que certamente serão maiores e mais amplos, pois trazemos conosco o aprendizado do que se passou. Em tese, temos mais discernimento e novo fôlego, novo ânimo para conseguirmos o que almejamos. Basta então seguir em frente, não é? Nem sempre.
Há uma fase de transição que entremeia um ciclo e outro. Este interstício é um período bastante complicado.
É onde nossa autocrítica, nossa autocobrança, coisas das quais nos arrependemos de termos ou não termos feito afloram, quando achamos que poderíamos ter feito diferente, ter sido mais assim ou assado, achando que deveríamos ter encerrado antes e, até mesmo, nos perguntando como aguentamos tanto tempo e como não víamos algumas coisas que hoje são tão nítidas.
Esse período, muitas vezes, parece nebuloso e demasiadamente demorado. Semelhante quando a primavera está ansiosa em chegar, mas o frio, a escuridão e as brumas do inverno insistem em permanecer pairando, tornando esta passagem dolorosa e, aparentemente, deixando aquele cenário repleto de sol e flores que no fundo sabemos que vamos encontrar, parecer mais distante do que realmente está.
Esse sentimento que ocorre nestas fases é necessário e salutar. É quando paramos para rever e repensar em algumas coisas. É quando reavaliamos nossos próximos passos.
Às vezes, nos sentimos em dúvida se devemos prosseguir, se é aquilo mesmo que devemos fazer, mas tudo isto faz parte do crescimento e do desenvolvimento.
Que bom que temos esta chance!
Que bom existirem pessoas do bem para fazer esta travessia ao nosso lado. Quando a névoa e a escuridão se dissipam, as flores, mesmo aquelas que se sentiam sem vida, tornam-se novamente lindas e belas e voltam a irradiar seu brilho, muito mais fortes e cheias de vida do que antes.
Autor: José Carlos Carturan Filho