Neuroplasticidade: A capacidade do sistema nervoso de se reorganizar estrutural e funcionalmente em resposta a experiências, aprendizagem e mudanças no ambiente
Buda estava certo? Somos o que pensamos?
O que a neuroplasticidade revela sobre a forma como enxergamos a realidade
Pare por alguns segundos e observe o mundo ao seu redor.
A cadeira em que você está sentado, o computador ou celular que está usando, o ambiente onde está, as escolhas que fez ao longo da vida. Muitas dessas coisas começaram, em algum momento, como uma ideia, uma decisão, uma expectativa ou uma forma de interpretar a realidade.
Mas será que podemos dizer que somos aquilo que pensamos?
Há mais de dois mil e quinhentos anos, um homem chamado Siddhartha Gautama, o Buda, afirmou: “Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o mundo”.
Na época, isso parecia apenas poesia espiritual. Mas hoje, a neurociência está provando que ele estava coberto de razão.
Pesquisas sobre neuroplasticidade, atenção, aprendizagem e percepção mostram algo igualmente interessante: nossas experiências, pensamentos, comportamentos e formas de interpretar o mundo participam de processos que podem modificar o funcionamento do cérebro ao longo do tempo.
Isso significa que a maneira como pensamos pode influenciar aquilo a que prestamos atenção, como interpretamos acontecimentos, quais comportamentos repetimos e, consequentemente, quais padrões fortalecemos.
E é justamente aí que a conversa entre filosofia, neurociência e desenvolvimento humano se torna interessante.
O cérebro não é um observador passivo
Costumamos imaginar que nossos olhos simplesmente captam o mundo e que o cérebro registra aquilo que está diante de nós. Entretanto, a experiência humana é muito mais complexa.
A todo momento, recebemos uma quantidade enorme de informações sensoriais. Então, nosso cérebro precisa selecionar, organizar e interpretar aquilo que é relevante para o comportamento naquele contexto.
O sistema reticular ativador, uma rede de estruturas associadas ao estado de alerta, atenção e foco, participa desses mecanismos de regulação da atenção. Portanto, não estamos conscientemente processando todos os estímulos disponíveis ao nosso redor.
Isso ajuda a entender uma experiência bastante comum.
Imagine que você decide comprar determinado modelo de carro. De repente, parece que aquele carro está em todos os lugares.
Ele não surgiu nas ruas naquele dia. O que mudou, principalmente, foi a sua atenção.
Você passou a perceber algo que antes provavelmente também estava presente, mas não tinha a mesma relevância para você.
Da mesma forma, uma pessoa que acredita constantemente que “ninguém reconhece seu trabalho” pode prestar mais atenção aos episódios que confirmam essa interpretação e dar menos importância aos momentos em que recebe reconhecimento.
O cérebro está “inventando” uma realidade?
Isso não significa que o cérebro esteja simplesmente “inventando” uma realidade. Significa que nossa atenção, nossas experiências e nossas interpretações influenciam a maneira como percebemos e damos significado ao mundo ao nosso redor.
Em outras palavras, não experimentamos a realidade de forma totalmente neutra. Construímos nossa percepção a partir dos filtros que carregamos, daquilo que aprendemos e daquilo que direcionamos nossa atenção.
É possível fazer um paralelo interessante com diferentes campos do conhecimento. Na filosofia budista, Maya está relacionada à ideia de que nossa percepção pode nos levar a confundir nossa interpretação da realidade com a própria realidade. Na psicologia, o viés de confirmação descreve nossa tendência de dar mais atenção e valor a informações que confirmam aquilo que já acreditamos. E na PNL, modelos como o feedback de autorrealização exploram como nossas crenças e expectativas podem influenciar nossos comportamentos e, consequentemente, os resultados que obtemos.
Embora sejam conceitos diferentes e pertençam a contextos distintos, todos nos levam a uma reflexão semelhante: os filtros através dos quais interpretamos o mundo influenciam profundamente a realidade que experimentamos.
Por isso, mudar a forma como percebemos uma situação não significa negar os fatos. Significa ampliar o nosso olhar para perceber possibilidades que, antes, talvez estivessem fora do nosso campo de atenção.
Pensamentos podem influenciar padrões
É aqui que entra a neuroplasticidade.
Neuroplasticidade é a capacidade do sistema nervoso de se reorganizar estrutural e funcionalmente em resposta a experiências, aprendizagem e mudanças no ambiente. Essa capacidade não desaparece simplesmente porque chegamos à vida adulta. O cérebro continua capaz de aprender, adaptar-se e modificar circuitos ao longo da vida.
Em outras palavras, aquilo que praticamos tende a ser aprendido.
Quando desenvolvemos uma habilidade, repetimos um comportamento ou nos expomos continuamente a determinado tipo de experiência, estamos oferecendo ao cérebro oportunidades para adaptar seus circuitos.
Por isso, aprender uma nova língua, tocar um instrumento, desenvolver uma habilidade profissional ou praticar uma nova estratégia de comportamento não é apenas acumular informação. O processo de aprendizagem envolve mudanças na atividade e na organização dos circuitos neurais.
Consequentemente, nossos padrões não são necessariamente imutáveis.
Isso não significa que basta pensar positivo para transformar a vida. A neuroplasticidade não é uma espécie de “lei da atração científica”.
A mudança depende de experiência, aprendizagem, prática, contexto e comportamento.
E essa diferença é fundamental.
O perigo de repetir sempre a mesma narrativa
Imagine alguém que repete durante anos:
“Eu não sou bom nisso.”
“Eu sempre estrago tudo.”
“Não adianta tentar.”
“Eu não consigo falar em público.”
“Não tenho perfil para liderar.”
Essas frases não são apenas palavras quando se transformam em padrões persistentes de interpretação e comportamento.
Se a pessoa acredita que não consegue falar em público, por exemplo, pode evitar apresentações. Ao evitar apresentações, pratica menos. Ao praticar menos, sente-se menos preparada. E, diante de uma nova oportunidade, a falta de experiência pode reforçar novamente a crença de que não é capaz.
Forma-se, assim, um ciclo.
Pensamento influencia comportamento. O comportamento produz experiências. As experiências alimentam novas interpretações.
Por outro lado, a mudança de um padrão também pode começar pela identificação desse ciclo.
“Eu não consigo” pode se transformar em:
“Que parte exatamente eu ainda não sei fazer?”
“Como poderia aprender?”
“O que já consigo fazer hoje?”
“Qual seria um primeiro passo?”
A pergunta não resolve tudo sozinha. Entretanto, ela pode mudar o caminho que a pessoa começa a percorrer.
A realidade também passa pelos nossos filtros
Existe ainda outro aspecto importante: não enxergamos os acontecimentos apenas pelos acontecimentos em si. Interpretamos.
Uma mesma situação pode ser percebida de maneiras completamente diferentes por duas pessoas. Uma mudança de empresa pode ser interpretada como uma ameaça por alguém e como uma oportunidade por outra pessoa. Um feedback pode ser entendido como uma crítica pessoal ou como uma oportunidade de desenvolvimento. Um erro pode representar fracasso ou informação sobre aquilo que precisa ser ajustado.
Isso não significa que qualquer situação difícil deva ser transformada artificialmente em algo positivo. Algumas experiências são realmente dolorosas e exigem tempo, suporte e recursos adequados.
A questão é outra: qual significado estamos atribuindo ao que acontece e como esse significado influencia nossa resposta?
Essa pergunta abre espaço para a autoconsciência.
E onde entra a PNL?
A Programação Neurolinguística trabalha, entre outros aspectos, com a relação entre linguagem, percepção, comportamento e modelos internos de experiência.
Uma contribuição interessante dessa abordagem é estimular a pessoa a observar como está representando determinada situação.
Em vez de simplesmente aceitar pensamentos automáticos como fatos, podemos investigá-los.
“Todo mundo pensa assim.”
Quem, especificamente?
“Eu nunca consigo.”
Nunca? Em quais situações?
“Isso sempre dá errado.”
Sempre? O que aconteceu nas últimas vezes?
Esse tipo de questionamento ajuda a identificar generalizações, omissões e interpretações presentes na linguagem.
Além disso, ferramentas da PNL podem ser utilizadas em contextos de desenvolvimento pessoal e profissional para trabalhar objetivos, comunicação, percepção e flexibilidade comportamental.
É importante, porém, separar as coisas: PNL não é sinônimo de neurociência, e conceitos da PNL não devem ser apresentados como se fossem descobertas científicas comprovadas pela neurociência. A contribuição da PNL está em seu conjunto de modelos e ferramentas de desenvolvimento e comunicação, enquanto a neuroplasticidade é um fenômeno amplamente estudado pela ciência.
Você não precisa acreditar em todos os seus pensamentos
Talvez essa seja uma das reflexões mais importantes.
Ter um pensamento não significa que ele seja verdadeiro.
Pensar: “Não vou conseguir” não é o mesmo que provar que você não conseguirá; “Ninguém vai gostar da minha ideia” não significa saber o que todas as pessoas pensarão; “Eu sempre faço errado” não significa que você nunca tenha acertado.
Por isso, desenvolver autoconsciência significa também aprender a observar os próprios pensamentos com um pouco mais de distância.
Em vez de perguntar apenas: “O que estou pensando?”, podemos perguntar: “Por que estou pensando dessa maneira?”; “Que evidências sustentam essa interpretação?”; “Existe outra maneira de enxergar essa situação?”; “Que comportamento esse pensamento está me levando a repetir?”
Essas perguntas podem transformar uma reação automática em uma oportunidade de reflexão.
Somos o que pensamos?
Talvez a resposta mais adequada seja: não somos apenas aquilo que pensamos, mas nossos pensamentos fazem parte da forma como construímos nossa experiência.
O cérebro pode mudar. Ele aprende com aquilo que fazemos, praticamos e vivenciamos.
Por isso, mudar padrões não significa simplesmente substituir pensamentos negativos por frases positivas.
Significa desenvolver consciência, experimentar novas formas de interpretar situações, adotar comportamentos diferentes e criar experiências que possam sustentar novos aprendizados.
A mudança acontece na interação entre pensamento, comportamento, experiência e ambiente.
E é justamente por isso que a pergunta mais interessante talvez não seja: “Somos o que pensamos?”
Mas: “Que padrões estou fortalecendo todos os dias?”
Porque aquilo que repetimos pode se tornar mais familiar. E aquilo que aprendemos também pode abrir novas possibilidades.
Buda estava certo em uma reflexão que continua atual. O mundo que você habita é o reflexo direto da mente que você cultiva. Se você quer mudar a sua vida, pare de tentar lutar contra o mundo exterior e comece a observar o que acontece no silêncio dentro de si mesmo. A sua realidade não vai mudar enquanto o seu filtro não mudar.
Mude a forma de observar para ampliar as possibilidades
Na Elleven, trabalhamos o desenvolvimento humano a partir de temas como comportamento, comunicação, inteligência emocional e PNL.
Mude a forma de observar para ampliar as possibilidades
Na Elleven, trabalhamos o desenvolvimento humano a partir de temas como comportamento, comunicação, inteligência emocional e PNL.
A formação de Practitioner em PNL busca oferecer ferramentas para que os participantes possam compreender melhor seus padrões de pensamento e comportamento, ampliar sua percepção e desenvolver novas estratégias para situações pessoais e profissionais.
Se você quer aprofundar seus conhecimentos sobre mente, comportamento, comunicação e desenvolvimento pessoal, conheça a formação de Practitioner em PNL da Elleven.
Porque, muitas vezes, uma mudança começa quando conseguimos perceber aquilo que antes passava despercebido.
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