Autopiedade = “a ditadura da vítima”
Em um dos cursos que ministramos, uma pessoa, conversando informalmente me fez a seguinte pergunta.
“Qual o comportamento mais nocivo para um ser humano?”
Fiquei surpreso com a pergunta. E respondi que, em minha opinião, havia alguns comportamentos realmente desprezíveis como a agressividade, a arrogância, a desonestidade entre outros. Foi quando tive um daqueles chamados insights. Sabe quando de uma hora para outra a ficha cai e algumas coisas aparecem muito claramente em nossa mente?
Parei um pouco, olhei para a pessoa e disse: “Olha… Me veio à cabeça agora um comportamento muito comum no ser humano, mas que sinceramente nunca havia percebido o quanto era prejudicial: a autopiedade.”
Autopiedade – Coitadinho!
Na realidade este comportamento é aquela famosa “peninha que sinto de mim mesmo” e do “quanto as coisas são difíceis e dão errado para mim”. Se lembrarmos bem, existe até um desenho animado com uma hiena e um leão, Lippy e Hardy, no qual a hiena vive dizendo: “Oh, vida! Oh, azar”. Já assistiu?
E este sentimento de autopiedade é um dos piores que uma pessoa pode ter, por vários motivos. Primeiramente, é algo que nos limita, nos coloca sempre em uma posição de vítima e desta maneira tira de nós todo o poder de alterarmos o rumo da nossa vida.
Além disso, traz consigo um sentimento de autodestruição, nos levando a uma infelicidade quase que permanente, já que passamos a achar que estamos fadados a ser sofredores eternos.
Tais argumentos já seriam suficientes para justificar minha afirmação, mas a autopiedade traz ainda algumas outras péssimas repercussões. Pode, por exemplo, manter as pessoas em uma constante inércia, em não buscar seus objetivos, já que de um jeito ou de outro nada dá certo mesmo.
Serve também para obter o que algumas linhas da psicologia chamam de ganho secundário. Ou seja, fazemos algo para receber algo em troca. E no caso da autopiedade, o algo em troca pode ser carinho, atenção, cuidado.
A ditadura da vítima
Porém, talvez o mais prejudicial uso da autopiedade, consiste em servir como fator de manipulação. Tenho um grande amigo, um mestre na verdade, que chama isto de “a ditadura da vítima”.
São pessoas que usam a autopiedade de maneira hábil, visando gerar nas outras pessoas um sentimento que faça com que fiquem a mercê de suas vontades e caprichos, criando em seu entorno um ambiente totalmente favorável a si própria. A equação é simples: “Tenho pena de mim, sou problemático, nada dá certo para mim e sofro demais.”
E então, alternativa 1: Você faz o que quero e cede aos meus caprichos. Então, percebo que este mecanismo é eficaz e passo a repeti-lo para conseguir tudo. Ou, alternativa 2: Você não entra no joguinho. Não consigo o que quero e, então, comprovo a mim mesmo o quanto ninguém me ama, ninguém se preocupa comigo, as coisas não dão certo para mim etc.
Percebeu? E fique alerta, pois há mais pessoas que utilizam este ardil do que imaginamos. Podemos ajudar as pessoas, mas cada um deve ser responsável por sua vida.
Autor: José Carlos Carturan Filho