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COMPREENSÃO: O QUE MUDA JAMAIS VOLTA A SER COMO ANTES

Compreensão: O que muda jamais volta a ser como antes

Guarde esta máxima: “Você é o que você pensa”. Simples? Não, a equação não é tão simples assim. Se em seus pensamentos estão arraigados conceitos fortalecedores, menos mal. Se ao contrário, seus pensamentos estão repletos de crenças limitantes aí as coisas complicam. E complicam pelo simples fato de dificilmente você sentir-se preparado ou bom na medida certa para algo e este pensamento gera outro, extremamente desconfortável. Que é sobre o que você pensa que os outros acham de você. Compreensão!

E sabe o que mais? Mesmo quando você se compromete consigo mesmo a mudar, melhorar, substituir velhos hábitos por novos estes pensamentos atormentam. Normalmente conseguimos sim. A questão é que normalmente queremos resultados imediatos. Uma pessoa que precisa fazer dieta e que está há anos sedentária e descuidando da alimentação geralmente desanima a fazer o tal regime porque o emagrecimento é lento, gradual. Até aí sem novidades, talvez já tenha acontecido com você.

O fato é que em relação ao crescimento interior, esta premissa funciona exatamente do mesmo modo, com alguns agravantes.

Na maioria das vezes, estas mudanças são paulatinas e não acontecem bruscamente, mas sim de modo lento e quase imperceptível. Os antigos místicos diziam sabiamente que temos que nos acostumar com a claridade, antes de ver a Luz Maior.

Tanto a mente quanto o corpo começam a ser preparados para tal empreitada. Na mente padrões de pensamento, novas percepções, um ‘feeling’ diferente acontece. Estes novos padrões começam a refletir no corpo. Tudo isto começa a ser notado em nosso cotidiano quando, por exemplo, percebemos que algo que muito nos agradava passa a ter um menor significado. Ou quando o que antes nos incomodava agora não mais nos afeta. Quando valores antigos começam a ser substituídos e até mesmo pessoas e companhias que eram agradáveis, já não são mais tão atraentes.

Mas por que estas mudanças tão gratificantes são tão difíceis de ser assimiladas?

Simples. Porque as pessoas ao seu redor continuarão as mesmas e em muitos casos estranharão e não compartilharão deste novo modo de ver o mundo e as coisas, mesmo aqueles que  te amam.

Definitivamente não é possível restabelecer o ‘Velho Mundo’ no ‘Novo Continente’. O que muda jamais volta a ser como antes e aos poucos seus padrões antigos mudam. Estas diferenças e este afastamento ocorrem porque estas pessoas, estáticas no seu ‘Velho Mundo’ de referências e paradigmas antigos e obtusos sentem-se desprestigiadas e podem atrapalhar este caminho de desenvolvimento. Estas pressões servem apenas para salientar ainda mais as diferenças.

Não se detém quem passa a empreender tal jornada, pois quando se avista um horizonte mais amplo é difícil contentar-se com a maquete da realidade. Saiba que cada caminho é ÚNICO e PESSOAL. E que justamente por este motivo devemos exercer uma das grandes virtudes humanas em relação aos demais. A COMPREENSÃO. Compreender o que os outros pensam, sem, no entanto se afetar ou contaminar com isso. Chegar a este denominador comum é determinante para continuar a escalada de evolução pessoal.

SOBRE A DECEPÇÃO

Sempre recebo sugestões de amigos muito queridos para escrever sobre temas bem interessantes.

Hoje vou abordar um tema também interessante, pelo qual nós todos já tivemos alguns minutos, horas, dias ou anos de desassossego. E aí é que está o cerne da questão. A reflexão e a decisão de quanto tempo levaremos este sentimento adiante. Mas de qual sentimento afinal estamos falando? Simples. Falamos sobre a decepção.

 

Mas afinal o que é decepção? De modo bem simples, para mim ‘decepção é a surpresa ao contrário’. Parece bem lógico, mas há algumas variáveis bem sutis em tudo isto. Justamente porque a decepção está diretamente ligada às expectativas que nós temos do outro e que este outro, ou não tem potencial ou não está comprometido suficientemente para atender.

 

Isso abre mais uma janela para discussão, sobre um erro bastante recorrente em nossa vida que acontece quando há uma lacuna e estamos ansiosos para que ela seja preenchida.

 

Quantas pessoas não se sentem sós e acabam ‘amarrando o burro’ em uma pessoa que projetam ter os predicados que buscam, mas que na verdade está mais para sapo do que príncipe? E no trabalho? Quantas vezes vislumbramos que aquela é ‘a pessoa certa’ para determinada função, ainda mais se a função diz respeito a um ponto nevrálgico da organização e no dia a dia fica bastante claro que os atributos e a conduta estão bem aquém do esperado? Isso fica ainda mais fácil de acontecer, em ambos os casos, quando a pessoa fala e demonstra ser exatamente aquilo que almejávamos. Pronto.

 

Porém se formos analisar friamente, quais as maiores causas da decepção?

 

Certamente, a primeira delas é ter de admitir para si mesmo que errou (e às vezes erramos feio) e suas percepções estavam equivocadas. E somado a isto o nível de decepção é diretamente proporcional aos compromissos assumidos pelo outro e aos nossos valores pessoais que foram diretamente atingidos. Bob Marley, um dos ícones da cultura alternativa e que, conduta pessoal à parte, foi um dos grandes nomes da música internacional dizia a respeito da decepção: “Às vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas. O tempo passa. E descobrimos que grandes mesmo eram os sonhos e as pessoas pequenas demais para torná-los reais!” Pode ser.

 

No entanto, prefiro adotar a definição do sábio chinês Confúcio, que dizia “Exige muito de ti e espera pouco dos outros. Assim, evitarás muitos aborrecimentos”. Este sim, um grande conselho. As decepções às vezes nos custam bem caro, mas são extremamente válidas, pois geram aprendizados. Aprendemos que devemos afinar ainda mais a sintonia do nosso ‘radar’,  estar atentos a discursos vazios, nos lembrar que são poucos que mantém o antigo (e salutar) hábito de honrar a palavra e principalmente nos lembrar que não são todos os seres humanos que dão a mesma relevância à palavra COMPROMISSO.

 

Em suma, a decepção é um sentimento que reside dentro de nós e jamais deve ser creditado aos outros. E isto é muito bom, porque no final das contas, a decisão em mantê-lo ou não conosco está em nossas mãos.

Sobre os Ciclos da Vida

Por José Carlos Carturan

Que a vida é feita de ciclos, você já deve ter notado. Alguns ciclos são muito bons, auspiciosos, prósperos e outros nem tanto. Ainda assim conseguimos ou deveríamos tirar proveito de cada um deles.

Os tais ciclos perduram por certo período (muitos deles por aproximadamente sete anos, pode reparar) e podem abranger as mais diversas áreas da nossa vida. Pessoal, afetiva, financeira, profissional, social. Parece que é o tempo aproximado para que ganhemos maturidade suficiente, seja pelo amor ou pela dor, para seguirmos adiante e entrarmos de vez na nova fase que se apresentará.

Quando falo em ciclos, falo desde o início, quando as coisas ainda são ideias, sonhos, aspirações, objetivos, passando pela fase onde já há algum movimento no sentido de colocar tais coisas em prática, chegando ao processo de desenvolvimento, de sedimentação e concretização e por fim de saturação, culminado ora com um desfecho, ora com a opção de continuidade.

Mesmo quando não há o desfecho e sim a continuidade, há uma reCICLAGEM, daí a origem da palavra. É quando damos uma ‘repaginada’ para que aquele balão consiga voar até completar sua jornada.

Se o desfecho, a cisão, ou a ruptura ocorrem é porque estamos buscando novos sonhos, novos horizontes, que podem estar baseados em pilares construídos no ciclo anterior, mas que certamente serão maiores e mais amplos, pois trazemos conosco o aprendizado do que se passou. Em tese, temos mais discernimento e novo fôlego, novo ânimo para conseguirmos o que almejamos. Basta então seguir em frente, não é? Nem sempre.

Há uma fase de transição que entremeia um ciclo e outro. Este interstício é um período bastante complicado.

É onde nossa autocrítica, nossa autocobrança, coisas das quais nos arrependemos de termos ou não termos feito afloram, quando achamos que poderíamos ter feito diferente, ter sido mais ‘assim ou assado’, achando que deveríamos ter encerrado antes e até mesmo nos perguntando como agüentamos tanto tempo e como não víamos algumas coisas que hoje são tão nítidas.

Esse período muitas vezes parece nebuloso e demasiadamente demorado. Semelhante quando a primavera está ansiosa em chegar, mas o frio, a escuridão e as brumas do inverno insistem em permanecer pairando, tornando esta passagem dolorosa e aparentemente deixando aquele cenário repleto de sol e flores que no fundo sabemos que vamos encontrar parecer mais distante do que realmente está.

Esse sentimento que ocorre nestas fases é necessário e salutar. É quando paramos para rever e repensar em algumas coisas. Quando reavaliamos nossos próximos passos.

Às vezes, nos sentimos em dúvida se devemos prosseguir, se é aquilo mesmo que devemos fazer, mas tudo isto faz parte do crescimento e do desenvolvimento.

Que bom que temos esta chance!

Que bom existirem PESSOAS DO BEM para fazer esta travessia ao nosso lado. Quando a névoa e a escuridão se dissipam, as flores, mesmo aquelas que se sentiam sem vida, tornam-se novamente lindas e belas e voltam a irradiar seu brilho. Muito mais fortes e cheias de vida do que antes.

COISAS QUE O FUTEBOL ME ENSINOU

Sempre gostei muito de um bom jogo de bola e por isso, o futebol esteve na minha vida desde cedo.

Um dia depois do encerramento da Copa, resolvi resgatar um texto que escrevi no passado sobre coisas que aprendi com a bola.

 

O título original era “A bola”:

 

Há algum tempo, fui convidado a escrever um texto que faria parte do livro Objetos e Memórias 2, voltado a fins assistenciais. O texto deveria ser sobre qual o objeto que mais marcou minha vida.  Nunca havia parado para pensar nisto. O objeto que mais marcou minha vida? Se fossem pessoas seria bem mais fácil. Contudo, ao parar para considerar tal fato e com a pronta e imediata concordância de minha mãe, não tive muita dificuldade para definir. Algo simples, contumaz, mas que gerou marcas e aprendizados permanentes para mim. Uma bola de futebol.

 

Mas, afinal que significado tão especial isto poderia ter? Foi a bola que despertou em mim duas paixões que faço questão de nutrir até hoje. O futebol e o meu time, São Paulo Futebol Clube. Certamente foi este objeto (na realidade foram dezenas de bolas de futebol durante minha vida) e esta paixão instantânea que proporcionaram a oportunidade para que eu praticasse este esporte competitivamente por mais de 20 anos. E nesta trajetória aprendi algumas premissas que carrego comigo até hoje e que me norteiam em meu cotidiano.

 

Aprendi sobre competitividade, sobre espírito de equipe, companheirismo, amizade, lealdade, deslealdade, garra. Aprendi a NÃO gostar de perder, mas também que há limites éticos nas estratégias usadas para ganhar.

 

Percebi que para ter êxito tinha de ser melhor do que os que jogavam contra mim ou os que disputavam comigo a posição no time titular, mas que isto de nada adiantaria se não conseguisse ser, a cada dia melhor do que eu mesmo. Tive alegrias, tristezas, decepções, conheci bons amigos e tive o privilégio de participar de grandes combates, contra adversários fortes. Foram diversas vitórias heróicas e inesquecíveis e outras tantas derrotas amargas e tão inesquecíveis quanto.

 

Tive de aprender sobre estratégia, tática, planejamento. E que ainda assim as coisas não saem bem como queremos, pois no futebol (e na vida) nem tudo está no nosso controle. Outros conceitos que aprendi, às vezes a duras penas? Coragem, determinação, superação, resignação, paciência, autoconfiança, dedicação, hombridade, honra.

 

Tive a sorte de conviver com as mais variadas pessoas e ambientes, o que fez com que eu aprendesse respeitar as diferenças. Pude distinguir claramente o que se deve e o que não se deve fazer. E que nem sempre as coisas são tão justas. Ou melhor, que nem sempre acompanham o nosso conceito de justiça.

 

Precisei diferenciar entre quando me defender, quando defender os outros e quando atacar. A ficar calado na hora certa e esbravejar, sempre com respeito, quando necessário. Meu status atual sobre futebol? Cada vez mais são paulino e me recuperando da segunda cirurgia no joelho (uma em cada um deles) em menos de um ano. Prova viva de que ainda hoje, muito do que sou para o bem e para o mal é devido a este objeto, a bola, que permeia o sonho de tantos jovens e que para mim, além de um passado feliz e saudoso faz parte de uma realidade que nunca vai se apagar.

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16 de DEZ, 2017

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30 NOV, 2017 | por José Carlos Carturan
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