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Hubris – José Carlos Carturan

Dentre as profundas mudanças (para melhor) que aconteceram em minha vida nos últimos anos, uma delas diz respeito à maneira como passei a encarar os fatos e também como passei a buscar aprender com as pessoas. Neste trajeto, vi muitos serem alavancados por virtudes essenciais e alcançarem seus propósitos. Porém vi outros que sucumbiram a um poderoso inimigo e outros que caminham inevitavelmente para o mesmo fim. O nome deste inimigo? A hubris.

Só para variar, ouvi este termo pela primeira vez em uma conversa com meu amigo e mestre José Orlando. Lembro-me dele me dizendo com toda a serenidade e sabedoria que possui: “Zé, fique sempre atento a este inimigo. A hubris é sempre muito perigosa”. 

E então, me contou a história de um general que ao voltar para Roma vitorioso e era recebido pelas pessoas com festa ordenava que um soldado ficasse o tempo todo dizendo ao seu ouvido: “Fique atento, você é só um militar. Lembre-se que César é o imperador. Sua vida está sempre nas mãos dele, não se ache o maioral”  

Hubris (ou Hybris em grego) significa desmedida, descomedimento e pode ser detectada de modo até fácil naquele que é orgulhoso, insolente, presunçoso. Normalmente se associa a isto a falta de controle sobre seus próprios impulsos, paixões e emoções. O perigo da hubris é que faz com que as pessoas incidam em comportamentos nocivos a elas mesmas e despertem em si vícios e auto destruição.

Na mitologia são muito comuns passagens onde heróis sucumbem a desafios justamente devido a este excesso de confiança. Ícaro e suas asas podem nos servir de exemplo como uma destas situações.

No âmbito comportamental é o retrato fiel do ego inflado, da prepotência. É fácil compreender, já que a linha entre a auto confiança e a arrogância é muito sutil. E sem que as pessoas percebam, colocam a si mesmas em grande risco. Como isso pode ser visto no cotidiano atual? Pode olhar ao seu redor. Pessoas que ‘se acham’, que não possuem limites, que fazem da vaidade e da necessidade de se sentirem melhores que outras, seja pelo cargo que exercem, pelo conhecimento intelectual que possuem, pela condição financeira ou atributos físicos e fazem questão de demonstrar a todos o quanto são ‘melhores’. Muitas vezes usam até a estratégia de diminuir outras pessoas para sentirem-se ainda mais ‘importantes’.

O fato é que a hubris é tão sorrateira que atinge não apenas no individual. Nações, grupos, equipes, famílias também estão expostas a esta armadilha. Que fique claro! Não podemos confundir a hubris com aquela confiança e ousadia presente naqueles que vencem e necessárias para termos a audácia de seguirmos adiante.

Fique sempre atento, principalmente quando você está em destaque ou naquelas situações onde sabe que possui algum diferencial. A hubris é um inimigo traiçoeiro e sem que perceba você pode estar sendo contaminado por ela. A vigilância deve ser constante. O sucesso pode ser importante e saboroso, mas humildade é sempre fundamental. 

Colheres Compridas – José Carlos Carturan

Talvez já tenham percebido que gosto muito de fábulas, contos, histórias. Hans Christian Andersen, autor de contos como ‘O patinho feio’ e ‘O soldadinho de chumbo’ dizia que as fábulas servem para que as crianças durmam e os adultos despertem. Penso que há uma sabedoria enorme contida em alguns contos, lendas que marcam nossa mente inconsciente de maneira muito intensa e geram aprendizados perenes. Por isso, hoje vou mencionar uma lenda chinesa.

Diz a lenda que o discípulo se dirigiu ao mestre e perguntou a este o que era céu e o que era inferno. O sábio homem respondeu:
– Por mais que você fique surpreso a diferença, no final, é pequena, mas traz grandes consequências. Venha, vou lhe mostrar o inferno.

Entraram em um ambiente onde havia uma grande quantidade de pessoas sentadas ao redor de um enorme caldeirão, repleto de uma comida que parecia ser deliciosa pelo maravilhoso aroma que exalava. Todos estavam famintos e desesperados. Cada um tinha uma colher presa pela ponta do cabo à mão, que chegava até a panela. No entanto, os cabos eram tão compridos que ninguém conseguia levar a colher à boca. O sofrimento era terrível.

Passado um instante, o mestre virou-se para o rapaz e disse:
-Venha. Agora vou mostrar-lhe o céu.
Entraram em outro ambiente, idêntico ao primeiro. Ali também havia um caldeirão cheio de comida, muitas pessoas e as mesmas colheres que eram na realidade tão desproporcionais quanto às anteriores. Contudo, ali todos estavam alimentados e aparentavam estar felizes e serenos.

O discípulo então perguntou:
– Mestre, como podem estar felizes e tranquilos em relação às pessoas da outra casa, se ambos têm exatamente o mesmo?
O mestre sorrindo respondeu:
– Então você não percebeu? A resposta é simples, meu jovem. Como o cabo da colher é muito comprido é impossível levar comida à própria boca. Mas aqui eles aprenderam a alimentar uns aos outros.
Pois bem. Será que um dos fatores das angústias do ser humano não é algo semelhante a isto? Será que as pessoas não andam tão preocupadas em ‘alimentar a si mesmas’ que não conseguem perceber que há outros seres humanos ao redor, que na pior das hipóteses precisam ser ‘alimentados’ com respeito, dignidade, carinho?

Muitas vezes as pessoas parecem tão focadas em si mesmas que são incapazes de olhar ao redor e perceber que senso de colaboração, esforços somados e um mínimo que seja de altruísmo sincero, sem demagogia e nem interesses secundários podem ser um combustível poderosíssimo para que vivam em paz.

Vaidade, cobiça, busca desmesurada pelo dinheiro, sucesso a qualquer preço, apelação, falsos valores. Para estas pessoas, que preocupam-se apenas consigo mesmas, tais sentimentos são extremamente nocivos. Mesmo porque não percebem que dia após dia envenenam a si próprias com estes perfumes que parecem tão inebriantes, mas que com o passar do tempo são venenos fatais.

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25 à 27 de AGO, 2017

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01 AGO, 2017 | por José Carlos Carturan
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