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Pequenas transgressões – José Carlos Carturan

Nossa população já tem a fama de, em sua grande maioria, fazer uso da ‘Lei de Gérson’, imortalizada por um comercial de cigarros protagonizado pelo craque da nossa seleção de 1970. Tive sempre comigo que estas pequenas transgressões que talvez todos nós já tenhamos cometido, são mais nocivas do que parecem.

A princípio, quem me conhece apenas pelos textos talvez me ache um ‘chato de galocha’, como diria minha avó. Ou que quero tudo muito certinho, bonitinho e etc. Longe disso. O fato é que sou brasileiro e cresci em uma cultura onde às vezes, fazer as coisas certas é demérito e é normal utilizarmos o ‘jeitinho brasileiro’. E hoje vivo me policiando para fazer cada vez mais as coisas certas e fugir do uso destas (pseudo) ’malandragens’.

Uma simples ‘furada de fila’, estacionar o carro em vagas reservadas para idosos ou deficientes e outros destes pequenos ‘deslizes’ passam do limite da má educação. Significam falta de civilidade e abrem um perigoso precedente.

Sempre tive a impressão de que estas coisas repercutiam muito mais negativamente do que poderíamos imaginar. Eis que ao ler um livro tomei contato com a história de dois criminologistas da cidade de Nova York que na década de 80 tinha uma média anual de 2.000 assassinatos e 600.000 crimes graves ao ano.

A teoria deles era: “O crime é contagiante e resultado inevitável da desordem”. Atos de vandalismo como pichações, depredações, mendicância agressiva (como os ‘rodinhos dos semáforos’), urinar nas ruas e outras pequenas infrações são um convite a crimes mais graves porque demonstram ineficácia da aplicação das leis e impunidade. Pode parecer controverso, mas não é.

Ao assumirem cargos de liderança na área da segurança pública, exigiram do prefeito da cidade ações severas para vigilância, controle e punição destes pequenos delitos. O prefeito disse a eles que a preocupação maior era com assassinatos e sequestros, mas eles insistiram neste ponto.

A segurança foi redobrada em estações de trens, metrô e ônibus para fiscalizar e autuar quem era apanhado cometendo alguma infração, mesmo que fosse pular a catraca sem pagar. Além disto, tiveram uma ação maciça para recuperar os monumentos e patrimônio público que eram submetidos a vandalismo, pichações e depredações com a intenção de manter tudo sempre limpo e em ordem.

O resultado? Em menos de 4 anos os índices de criminalidade diminuíram em 75% (!!!), incluindo os índices de homicídios, sequestros e estupros. Coincidência? Muito provavelmente, não. Ao ler estes dados tive duas certezas: As pequenas transgressões geram grandes malefícios e nem sempre fazer o certo é fazer o que é mais fácil.

Procuro lembrar-me sempre disto no meu dia a dia. Lembre-se também, principalmente na presença de seus filhos. Se você não for um exemplo de congruência será muito difícil que eles consigam no futuro diferenciar o certo e o errado.

Para terminar, olhe quando sair à rua. Fatalmente verá pichações e coisas em mau estado de conservação. Agora, lembre-se do que acontece com nossos políticos e com os atuais índices de criminalidade. Faz sentido ou não?

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25 à 27 de AGO, 2017

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01 AGO, 2017 | por José Carlos Carturan
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