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Linha Tênue – José Carlos Carturan

Vivemos nossa vida de maneira bastante paradoxal. Somos contradições ambulantes. O que é ótimo, pois talvez seja esta uma das únicas maneiras de aprendermos. No entanto é fundamental que estejamos atentos às linhas tênues que separam alguns comportamentos, sentimentos e até algumas atitudes que temos costumeiramente, sem nos darmos conta que existe um limite muito, muito estreito entre algo benéfico e outra coisa não tão boa assim.

É importantíssimo não confundirmos, por exemplo, tolerância e conivência. Esta mesma linha tênue existe entre: Pureza e ingenuidade. Autoconfiança e arrogância, humildade e subserviência. Ser audacioso é muito diferente do que ser inconsequente; ser resignado é bem diferente do que ser omisso; Ambição é ótima, mas muito próxima da ganância.

Talvez num primeiro momento não faça sentido, mas sem perceber confundimos justiça com vingança. Fé com fanatismo. Pensamos estar usando a neutralidade, quando na realidade estamos usando a indiferença. Ultrapassamos a linha da convicção e adentramos o terreno da teimosia. Buscamos ser calmos e acabamos sendo passivos. Às vezes exageramos no amor próprio e passamos a ser egoístas.

Já percebeu como tantas coisas estão próximas, como praticamente se tocam? Alguns acham que estão sendo diretos e sinceros, quando estão sendo grosseiros. É suave a linha entre a gentileza e o servilismo. Pensamos estar fazendo as coisas com agilidade, quando na realidade estamos fazendo-as com pressa, julgamos estar sendo prudentes quando estamos sendo hesitantes. Perdemo-nos até quando tentamos ser altruístas e acabamos caindo na demagogia.

Uma coisa é ser distraído, outra é ser desinteressado. Uma coisa é ter a “cuca fresca” outra é ser displicente. As pessoas acham que são determinadas, quando são obcecadas. Acham que são contundentes, mas são levianas. Mesmo quando todos os sinais apontam para uma mudança de direção continuamos errando, porque confundimos insistência com persistência.

Achamos graça nos pequenos desvios, quando são eles que nos tiram completamente do caminho. Julgamos estar sendo pacientes, quando na realidade estamos sendo complacentes. Colocamos no mesmo balaio pessoas abastadas e as que possuem riqueza. Esquecendo que há pessoas riquíssimas sem um único centavo no bolso, enquanto há outras que são milionárias e de uma pobreza interna lastimável.

Talvez a grande busca do ser humano seja equacionar estas disparidades na busca de um equilíbrio interior que resulte em uma linha de conduta que fortaleça as reais virtudes. E para isto é essencial que estejamos sempre vigilantes para não cruzar este limite suave existente entre as coisas, não ultrapassar esta linha tênue, quase invisível que separa os grandes seres humanos dos seres humanos comuns.

Há uma frase que ouvi de meu grande amigo José Orlando e que costumo citar nos cursos que dou que talvez ilustre bem este tema: “A única diferença entre o remédio e o veneno é a dose aplicada”. E assim continuamos nossa caminhada, tentando aparar nossas próprias arestas para transformamo-nos de pedra bruta em pedra polida, para atingir o necessário equilíbrio, para alcançar o Caminho do Meio.

O teto – José Carlos Carturan

Mais uma vez citarei meu grande amigo e mestre José Orlando. Faço questão de citá-lo nominalmente porque acho importante mencionarmos as fontes de onde ‘bebemos’ conhecimento e pelo privilégio que tenho em desfrutar de sua companhia, amizade e sabedoria. Este meu amigo, de forma bem tranqüila e serena, já me disse algumas vezes: “Zé, não adianta insistir. Cada um tem seu próprio teto”.
Ouço isto dele, normalmente em situações onde estou tentando inserir alguém em algum projeto ou quando pergunto se na opinião dele determinada pessoa possui o perfil para empreender algum novo caminho.

Faço questão de ressaltar que não se trata de menosprezo. Muito pelo contrário. Geralmente percebo, vezes de modo correto e outras equivocadamente, capacidades nas pessoas que elas mesmas não percebem. Quantas vezes você não entendeu, não se conformou com o fato de pessoas que conhece ficarem muito aquém de seu real potencial e consequemente colherem resultados bem menores do que poderiam e mereciam colher? Ou pior, quantas vezes já ouviu de outros que você possui inúmeras qualidades e não acreditou?

Pois é. Cada um tem seu teto, pois cada um impõe a si mesmo este teto. Isto acontece desde cedo e é tão assustadoramente verdadeiro que em algumas circunstâncias, quando as pessoas estão prestes a romper este limite que se impuseram, quando estão quase ‘aumentando’ este teto arranjam as maneiras mais impressionantes, os mecanismos mais absurdos de autossabotagem. Desculpe, mas é isto mesmo. As pessoas usam a autossabotagem para manter-se no limite exato, ou sempre um degrau abaixo do teto que acreditam ter.

Alguns já fazem isto logo no início, usam a preguiça, a falta de disciplina e nem iniciam a jornada ou desistem ao primeiro obstáculo. Para estes o sofrimento é menor, já que se conformam em ser apenas coadjuvantes de suas próprias vidas, meros transeuntes da jornada que vieram (não) cumprir. Outros fazem diferente. Lutam, persistem, dedicam-se e quando têm a grande oportunidade de suas vidas… pronto. Jogam tudo pela janela. Arrasam qualquer possibilidade de crescimento, regredindo praticamente ao ponto zero, mas sem a perspectiva de um novo recomeço e sim com a frustração de mais uma vez ter falhado. Qual o nome disto? Autossabotagem.

Mas existe ainda outro modo de limitar seu próprio teto. Talvez seja um neologismo, mas chamaria de auto ilusão. São aquelas pessoas que vivem enganando a si próprias achando que estão enganando os outros. Mais ou menos como um adolescente imberbe que ‘mata’ aula, ou a pessoa que faz dieta e ‘come escondido’ para não ser cobrado.

A pergunta é: Na realidade, quem estas pessoas estão enganando senão a si próprias? Paciência. Cada um tem sua vida, cada um faz seu teto. Não se trata de poder fazer tudo, mas sim de perceber que é possível se fazer muito mais do que se faz. Novamente recorro ao meu mestre, que cita um ditado da cultura africana que diz: “O que a cabeça não quer, nem Deus pode querer. Se a sua cabeça não simpatiza com a sua causa, nada pode ser feito por você”. A propósito, qual o tamanho do seu teto?

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25 à 27 de AGO, 2017

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01 AGO, 2017 | por José Carlos Carturan
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