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Você é sincero? – Alex Baylon

É assim, de vez em quando o eu interno me chama para bater um papo! Papo cabeça, sabe? Daqueles que dá trabalho pensar. Às vezes chego a falar que não vou conversar porque quero deixar as sinapses sem rumo por ai… tá bom que um practitioner consegue evitar um boa prosa!

Esse eu interior me intimou de novo a prestar atenção ao ambiente. Você também faz isso? Então talvez tenha percebido que tem uma espécie comum, que se auto intitula “sou sincero”. Geralmente essas criaturas têm umas tiradas engraçadas; outras vezes achamos que é maldade, outras vezes não detectamos nada – afinal, quem fica analisando tudo 100% do tempo? Mas é fato que os “sou sincero” não passam despercebidos. A gente sempre conhece alguns exemplares.

Na minha comunicação, procuro ser claro, ir direto ao ponto, dizer o que é preciso – me esforço nisso, nem sempre acerto. Por vezes busco adequar meu comportamento e discurso, seja escrito ou verbal, de modo que a pessoa com quem me comunico me entenda. Contextualizo. Não é ‘fru fru’, não quero ser bonzinho, faço isso para conseguir discutir ideias, evitando que as questões fiquem no nível pessoal.

O “sou sincero” faz isso sem esforço. Fala na lata o que pensa. Da maneira que vem na cabeça.
O processo de elaborar uma opinião exige trabalho, busca de conhecimento, geração de discernimento, aprendizado, e polimento para que fiquemos satisfeitos com o que temos em mente. Se falarmos tudo na lata, será que dá tempo de polir o pensamento?
Pois é, na média parece que não. Os “sou sincero” são taxados de agressivos, inconvenientes, às vezes de falsos, pois suas palavras são lançadas cheias de arestas que entram rasgando os ouvidos e espetam a mente de que as ouve. Machucam. Ofendem. Incomodam.

Por vezes a gente dá graças por não ter sido o alvo do comentário de um “sou sincero”. Quando estamos de fora, às vezes achamos graça, em outras até concordamos com a essência, mas não com o jeito. E é aqui que reside o problema. O jeito é o polimento necessário da comunicação. As pessoas não são obrigadas a ouvir as verdades do jeito que alguém as atira nelas. Elas têm o direito de – com todo respeito, com jeito – saber as opiniões dos outros sobre suas atitudes, comportamentos, ideias, para que elas possam genuinamente se interessar em aprender, em mudar. Elas têm um direito maior ainda: de não querer ouvir nada! – e por vezes o “sou sincero” quer obrigar os outros a escutar… Inimizades podem surgir assim.

Percebo também que os “sou sincero” geralmente se ofendem fácil. Porque o processo de cognição deles é igual em ambos os sentidos e com a mesma referência. Assim como sai aresta, entra aresta; porque não há preocupação em entender o que o outro disse, as palavras são tomadas cruas, literais e causam no “sou sincero” o mesmo efeito de agressividade. É comum o “sou sincero” retrucar, responder, complementar, arguir, enfim, de um modo ou de outro, devolve.

E o que fazer? Quisera eu ter todas as respostas! Mas, sabendo que o indivíduo mais flexível sempre está no controle, quando ouço um “sou sincero”, procuro eu fazer o processo cognitivo, busco a essência, penso em como seria a melhor maneira de expressar e assumo que assim foi feito. Evito inimizades, crio amigos, inclusive amigos perfil “sou sincero”!
Agora, alguém me dá uma dica de como influenciar um “sou sincero” a pensar no causo?

Sobre o autor:
Alex Baylon é Marido da Cíntia, pai da Melissa, Engenheiro e Administrador
Practitioner em PNL, formação em Hipnose, Reiki e Tarô.

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